Em um dia como esse, o brasileiro pioneiro da aviação Alberto Santos Dumont tirava o seu famoso 14-bis do chão pela primeira vez, no ano de 1906, em Bagatelle, uma localidade de Paris. Em um teste, por volta de 17 horas, o seu avião chegou a uma altura de 2 metros do chão. Ainda no mesmo dia ele fez outras duas tentativas, ambas sem sucesso.
O primeiro teste com público, oficial e de sucesso do 14-bis ocorreria pouco mais de um mês depois, no dia 23 de outubro,
no mesmo local, quando Santos Dumont realizou o primeiro voo de um equipamento mais pesado que o ar.
O feito rendeu a ele um prêmio em dinheiro.

Quem foi esse inventor?
Nascido no sítio Cangabu, na cidade de Palmira, que posteriormente seria rebatizada em homenagem a seu ilustre cidadão, no estado de Minas Gerais, Alberto Santos Dumont veio ao mundo no dia 20 de julho de 1873. Filho do engenheiro de obras públicas descendente de franceses, Henrique Dumont, e de Francisca Santos Dumont, proveniente de uma família portuguesa tradicional, logo o garoto saiu das terras das montanhas para mudar-se com os pais para Valença, no Rio de Janeiro.
Neste novo lugar, onde a família passou a dedicar-se ao café, Santos Dumont logo demonstrou interesse pelos maquinários presentes no local, e isso fez com que seu pai o incentivasse a saber mais sobre eletricidade, química, física e mecânica. Quando completou 18 anos, o garoto foi morar em Paris para terminar os estudos.
Na “Cidade Luz”, fez seu primeiro voo em um balão alugado e, um ano depois, construiu o seu que recebeu o nome em homenagem ao seu país de origem: Brasil. A partir desta criação, ele começou a pensar em soluções para a dirigibilidade e propulsão dos balões. Projetou o seu número 1 em formato de um charuto, movido à hidrogênio com motor à gasolina.

O voo que marcou a história
Após desenvolver e voar em outros 6 dirigíveis, Santos Dumont criou o 14 Bis (também conhecido como Oiseau de Proie, que em francês significa “ave de rapina”). Este avião era um aeroplano branco cujas asas foram feitas de pipas-caixa e continha um motor de 50 cavalos-vapor. Havia ainda um cesto entre as asas onde o piloto de pé, já conhecido por suas façanhas no ar, sobrevoou o campo de Bagatella, em Paris, sob o olhar atento de um comitê oficial, da imprensa e de uma multidão de testemunhas. Era dia 23 de outubro de 1906 e a máquina voou por uma distância de aproximadamente 60 quilômetros a três metros de altura.
Tal feito rendeu a Santos Dumont a Taça Archdeacon, um prêmio em dinheiro e os louvores de toda a imprensa. No dia seguinte, o Jornal Fígaro disse, como consta em matéria publicada no site Uol, que “Santos Dumont é, com efeito, o primeiro que, devidamente fiscalizado, conseguiu, com os únicos recursos de seu aeroplano, deixar o solo e voar”.
A partir das invenções de Santos Dumont e, mais precisamente do voo realizado a bordo do 14 Bis, a aviação mundial começou a se desenvolver com mais agilidade e eficiência.
Se hoje possuímos máquinas seguras e podemos viajar para qualquer parte do mundo, grande parte deste mérito é destinado ao brasileiro que, com seu sonho de voar, desafiou os céus e o venceu!