Para a chamada elite conservadora, Anitta e Carmem Miranda não representam à altura a mulher brasileira, porque ambas rebolam, usam roupas extravagantes e, principalmente, porque ambas estão nem ai e nunca fizeram questão alguma de serem “politicamente corretas” sob os olhos desta camada da sociedade.
E nem estou falando de gostar ou não das músicas dessas mulheres, refiro-me ao reconhecimento do sucesso delas e o talento de ambas em conquistar o mundo, isso não deveria incomodar, ao contrário, isso é motivo de orgulho. Por José Longhi


A história se repete 80 anos depois numa prova de que a chamada elite brasileira não aprendeu nada, não mudou nada neste último século.
O fato de suas apresentações salientar seu rebolado e por cantar em inglês entre outras coisas, Carmem Miranda, sofreu todo o tipo de preconceito aqui no Brasil após seu estrondoso sucesso nos Estados Unidos, sucesso esse que lhe rendeu fama internacional e um lugar na calçada da fama.
A elite conservadora da época não aceitava Carmem Miranda, suas roupas extravagantes, seu jeito de ser e nem reconhecia como arte aquilo que ela fazia.
Depois que ela por conta própria ganhou o mundo e teve reconhecido seu trabalho “lá fora” a pequena notável em uma de suas vindas ao Brasil resolver fazer um show para os brasileiros, o show acabou sendo um fracasso boicotado pela elite conservadora da época.
Ela seguiu tua trajetória de sucesso e até gravou uma música com letra dedica a essa atitude da sociedade brasileira para com ela e como se diria nos dias atuais “ela deu um cancelada” nesta elite.
Depois de sua morte em 1955 veio um reconhecimento parcial da hipocrisia brasileira, mas daí já era tarde demais a sociedade brasileira já tinha perdido e Carmem Miranda tinha saído da vida como a grande vencedora.
Agora depois de 80 anos do sucesso de Carmem Miranda a historia se repete no Brasil, uma nova mulher brasileira ganha fama a vai além fronteiras levando o nome do país e a mesma sociedade, que se acha elite, é novamente incapaz de aceitar o sucesso da mulher brasileira, que usa roupas extravagantes, que é ousada e está longe de ser uma cantora politicamente correta.
Hoje a carioca, Larissa de Macedo Machado (Anitta), é quem desafia a elite conservadora sem se importar com o que pensa essa minoria que ainda pensa que manda em tudo pelo simples fato de pertencer a um grupo que se ao intitula de elite brasileira.
O sucesso de uma mulher que vem de baixo, que rala para conquistar seu espaço incomoda uma camada da sociedade, gostar ou não das músicas que ela interpreta vai do gosto pessoal isso é outra coisa, agora, não reconhecer e não se orgulhar de seu sucesso só mostra que não evoluímos nada enquanto sociedade brasileira nos últimos 80 anos.
Continuamos vivendo numa sociedade hipócrita que se incomoda com o sucesso de um pobre, seja na música, na arte de um modo geral, na política essas pessoas incomodam muito a chamada elite que gasta seu tempo tentando desconstruir a imagem de quem faz sucesso.
Ainda bem que existem as Carmens, as Anittas e outros que surgem para provar que um pobre por sim fazer sucesso e ser reconhecido mundialmente e que as críticas da elite pobre não os atinge.