Bacias de jarro esmaltado, penicos e lampiões também eram essenciais para esses estabelecimentos pioneiros do balneário gaúcho.
O grande galpão de madeira do Hotel Riograndense no início da década de 1950, ainda com as grades de proteção entre as colunas e com o prédio de quartos anexo
José Abraham / Acervo Alfonso Abraham
Reproduzindo publicação Almanaque GZH de 18 de fevereiro do jornalista, fotógrafo …… e amigo Ricardo Chaves.


O balneário de Capão da Canoa surgiu junto ao Arroio da Pescaria. Ali, no início dos anos 1920, além de alguns ranchos com teto de palha que abrigavam eventuais pescadores, existiu o Hotel Bonfílio, que não possuía forro, mas era coberto por tábuas. Contava com poucos quartos, uma sala de refeições e uma cozinha. Camas de ferro ou tarimbas com colchões de palha de milho desfiada ou crina vegetal, uma bacia com jarro esmaltado ou de alumínio, pois não havia água encanada, e um penico. Luz, só lampião. Um único sanitário de fossa negra, e um banheiro com chuveiro de latão. O costume era deixar a água do mar secar no corpo devido a suas “propriedades medicinais”.

Em 1922, foi criado o Hotel Pedro Nunes, pois o fazendeiro Pedro Hygino da Silveira, proprietário da Fazenda Capão da Canoa, tinha interesse em receber amigos, compradores de gado e comerciantes, além de raros banhistas. Inicialmente coberto de palha e com paredes de madeira falquejada, ganhou, em 1928, como ampliação, um alojamento com telhas de barro que aumentou as acomodações.
O Hotel Riograndense, de Alberto Mury, foi construído em madeira por Juca Valim e inaugurado em 1928, recebendo reformas posteriormente. Julia, esposa de Mury, cozinhava para os hóspedes. Mais tarde, o novo proprietário, Ramiro Correa da Silva, fez outra reforma, totalizando 23 chalés de madeira, com novos quartos, e construindo um salão de refeições onde eram realizadas festas e bailes. Depois, também foi erguido, ao lado, o prédio de alvenaria, com térreo e mais dois andares, abrigando apartamentos mais confortáveis e que teve até piscina em seu pátio interno.

Recentemente, o fotógrafo Alfonso Abraham, garimpando no arquivo de negativos do seu pai, o também fotógrafo José Abraham (in memoriam), mais conhecido pelo apelido de Espanhol, encontrou uma preciosa foto do início dos anos 1950 que mostra o grande galpão do refeitório do Hotel Riograndense (que, mais tarde, virou o Flipper Show e o Boliche), tendo ainda a grade de madeira entre as colunas (depois retirada) e, ao lado, o anexo de dois andares onde ficavam alguns quartos. O acesso aos cômodos do andar superior se dava por uma escada que conduzia ao mezanino voltado para o gramado da praça central (Praça Dr. José Agostinelli). Lembro-me de, nessa época, ter assistido, desse ponto de vista privilegiado, ao desenrolar de algumas gincanas promovidas anualmente para alegria e lazer dos veranistas da velha Capão da Canoa.

Outros hotéis que também fizeram sucesso nesse período foram: Hotel Bassani, City Hotel, Beira Mar Hotel, Hotel Monteiro, Hotel Bela Vista, Hotel Oceania, Hotel São Luiz e Hotel Atlântico. Abrigos seguros de verões inesquecíveis.

Fonte: livro Origens de Capão da Canoa: 1920-1950, de Mariza Simon dos Santos