Nos dias atuais quando ouvimos falar de Roland Garros, logo ligamos o nome ao famoso torneio de tênis que ocorre em Paris na França mas, este na verdade é o nome de um famoso aviador que conseguiu o feito de cruzar o
Mediterrâneo de avião no ano de 1913.

 

No dia 23 de setembro de 1913, o pioneiro da aviação francesa, Roland Garros, entrou para a história ao realizar a primeira travessia aérea, sem escalas do Mediterrâneo, em 7h53m, apesar de problemas com o motor quando sobrevoava a Córsega. A aventura dele começou na cidade de Fréjus, na costa sul da França. Restavam-lhe cinco litros de combustível quando pousou em Bizerte, na Tunísia. Após isso, ele se transformou em piloto de guerra entre 1914 e 1918. Foi feito prisioneiro pelos alemães na Primeira Guerra, mas depois conseguiu fugir. Retomou seu posto na esquadrilha, contudo foi morto durante um combate aéreo em 5 de outubro de 1918, sobre as Ardenas, na França.

Garros figura entre os grandes nomes da aviação, a uma só vez piloto excepcional e engenheiro gênio

Malgrado suas extraordinárias qualidades de piloto de aviação, Roland Garros não sobreviveu à Primeira Guerra Mundial e foi abatido um pouco antes de seu final, em 5 de outubro de 1918, às vésperas de completar 30 anos. Foi enterrado em Vouziers, nas Ardenas, onde um monumento foi erguido em sua homenagem. Conta a lenda que o jovem piloto alemão que abateu Garros jamais se conformou de ter matado tão legendário piloto.
Mais conhecido do grande público pelo estádio de tênis parisiense que leva seu nome do que por suas façanhas aeronáuticas, Garros, no entanto, marcou a história da aviação tanto civil quanto militar. Entretanto, no começo ninguém poderia pressagiar que esse jovem iria marcar com suas pegadas a história da aviação que então dava seus primeiros passos.
Com efeito, aos 18 anos, Garros ingressa na prestigiosa HEC (Haute Ecole de Commerce) com vistas a se tornar um poderoso homem de negócios. Esportista inato, integra desde logo a seção de ciclismo do clube poliesportivo do Stade-Français onde sua capacidade e habilidade fazem maravilhas. Ciclista emérito, conquista um título de Campeão da França nesta modalidade em novembro de 1906. No ano seguinte, participa da famosa prova ciclística Tour de France, chegando em 15º lugar.
Em 1908, aos 20 anos, resolve começar um curso de pilotagem aérea com vistas a conseguir o ‘brevet’ de aviador. Ele consegue que sua escola pague os cursos, muito onerosos à época. Rapidamente, Garros revela-se um piloto tão brilhante como o fora ciclista.
Em 1910, recentemente diplomado na HEC, é contratado pelo construtor de aviões Morane-Saulnier, no começo como agente comercial e mais tarde como piloto de teste. Alguns meses depois de sua contratação pela Morane-Saulnier, o piloto Louis Bleriot leva a cabo sua famosa travessia do Canal da Mancha. De natureza assaz orgulhosa, Garros se sente picado pelo vírus desses aventureiros aéreos e em 1913 impõe-se um desafio bem mais pesado que o da Mancha: a travessia do Mediterrâneo.
No começo da manhã de 23 de setembro de 1913, o jovem piloto assume o comando de seu Morane-Saulnier H em Frejus, no sul da França. Decola e sobe a uma altitude de 1.500 metros, tomando a direção da Córsega. Após um início de voo muito angustiante, com o motor rateando intensamente, Garros sobrevoa a Ilha da Beleza, tomando a direção da Sardenha. O motor persiste em seus sobressaltos. Nesse momento, o piloto entra em dúvida atroz: conseguiria concluir a travessia ou seria mais prudente pousar na ilha italiana? A meteorologia lhe daria a resposta. Aterrissaria na África do Norte, pois a Sardenha estava coberta por turbulências atmosféricas e uma espessa camada de nuvens baixas que impedia qualquer aterrissagem.

Os problemas, porém, não pararam por aí e só se avolumaram. Suas reservas de combustível diminuíam a grande velocidade e já estava cerca de uma hora atrasado em relação ao plano previsto. Todavia, seu espírito de desportista e aventureiro prevaleceu e ele persistiu. No final da manhã, o Morane-Saulnier sobrevoa navios da Marinha nacional singrando ao largo da Tunísia e Garros, por fim, aterrissa seu monomotor no campo de pouso de Bizerta. Acabava de concretizar a primeira travessia em voo solitário e sem escalas do Mediterrâneo.
Nos meses que se seguiram, lhe foram creditados três recordes mundiais de altitude e igualmente a primeira ligação aérea entre Havana e Cidade do México. Com essas proezas, Garros ingressava na galeria dos grandes ases da aviação.
A exemplo de muitos de seus amigos aviadores, foi incorporado às unidades de caça da força aérea francesa durante a Primeira Guerra Mundial. Chegou a abater quatro aviões alemães, entre eles um Albatroz de caça.
Contudo, se marcou verdadeiramente este sombrio período, foi por ter inventado em abril de 1915, um sistema de tiro através da hélice dos caças. Instalou um engenho simples em seu monoplano Morane Saulnier N que estava destinado a mudar todo o aspecto da guerra no ar. Adaptou um pequeno painel triangular de aço em cada uma das pás da hélice para protegê-las dos impactos estilhaçantes das uma-em-cada-doze-balas que a atingiam, na esperança de que as balas que aí ricocheteassem não atingissem nenhuma parte vital do seu próprio avião.
Montou uma metralhadora Hotchkiss no capô para atirar diretamente para frente através da hélice. Esse sistema permitiu aos aliados conquistar inúmeras vitórias aéreas antes que Garros e seu avião tombassem nas mãos dos alemães. Foi obrigado a colaborar com outro dos grandes nomes da aviação: Anthony Fokker.
Após três anos de cativeiro, conseguiu fugir e chegar à França, juntando-se imediatamente à força aérea de seu país.