Bonito e elegante, ele não deixava a desejar aos mais belos esportivos do mundo, mas sua mecânica…
veja vídeo entrevista com um dos criadores do Miura no final desta reportagem.


Quando a Volks chegou ao país, ninguém imaginaria que ela criaria um importante segmento do nosso mercado: o dos fora-de-série. Versáteis, eles tinham chassi e mecânica de Fusca e deram origem a dezenas de modelos, com destaque para o Miura.
Sua história começa em 1966, quando Aldo Besson e Itelmar Gobbi fundaram a gaúcha Aldo Auto Capas, de acessórios automotivos. Logo os sócios vislumbraram a possibilidade de criar seu próprio carro, um cupê esportivo de formas retas e contemporâneas.
O desenho ficou a cargo de Nilo Laschuk, a partir dos esboços de Itelmar Gobbi: seguia a escola italiana, com dianteira em cunha e capô e para-brisa bem inclinados. Era um estilo original, pois lembrava muito o Lotus Esprit (1972), de Giorgetto Giugiaro, e o Maserati Khamsin (1973), de Marcello Gandini. Coube a Mariano Brubacher adequar a carroceria de fibra de vidro ao chassi VW. Só precisou reposicionar as alavancas de câmbio e freio de mão, por causa da posição recuada dos bancos.
Em 1977, as duas primeiras unidades foram apresentadas, em Porto Alegre. Em junho, a QUATRO RODAS testava o Miura, que chamou atenção pelo acabamento e requinte, com destaque para a coluna de direção com ajuste elétrico. Também era possível regular a distância dos pedais, como no Lamborghini Miura – que originou o nome do fora-de-série, baseado num touro campeão.
Outro destaque era o completo painel em três módulos quadrados, que trazia até termômetro e manômetro de óleo. Com boa ventilação e baixo nível de ruído, o cupê só tinha três opcionais: toca-fitas, vidro elétrico e ar-condicionado.
A engenhosidade também estava presente na carroceria: os pequenos faróis retangulares do Fiat 147 ficavam ocultos sob tampas escamoteáveis acionadas a vácuo. Outra preocupação aerodinâmica era o limpador de para-brisa pantográfico: herdado do VW SP2, ficava oculto sob o capô.
A sofisticação tinha seu preço: o básico custava mais que o Alfa Romeo 2300 e pouco menos que o Dodge Charger. Mas seu desempenho estava muito aquém do que sugeria seu design esportivo: 0 a 100 km/h em 25 segundos e máxima de 135 km/h.
A estabilidade também era ruim: o tanque de combustível traseiro prejudicava a distribuição de peso, provocando sobresterço e travamento das rodas dianteiras em frenagens fortes. Bom mesmo era curti-lo sem pressa: o acerto da suspensão era voltado ao conforto.
Seu foco era a exclusividade. Em dois anos, a produção saltou de seis unidades mensais para 25. A espera era de oito meses e, em 1980, começaram as exportações: a produção chegou a 360 unidades, quase um por dia.
Para manter seu apelo, em 1981 ele trocou o motor a ar pelo refrigerado a água do Passat TS. Chamado MTS, agora trazia um radiador dianteiro, auxiliado por duas ventoinhas elétricas: havia melhora na distribuição de peso, que subiu de 840 para 890 kg. O desenho do painel também mudou, mas o problema ainda estava na ineficiente suspensão de Fusca, projeto dos anos 30.
Cientes de que haviam chegado ao limite técnico do carro, Besson e Gobbi partiram para um novo projeto em 1981, o Targa, com motor e tração dianteiros. Ao todo, 1.078 Miura foram produzidos até 1985, entre os quais cerca de 300 MTS: o exemplar das fotos é um modelo 1980, que pertence ao Miura Clube do Rio de Janeiro.
  

A MIURA, com o passar dos anos, se tornou um sinônimo de força, luxo e exclusividade, sempre visando atingir um padrão de qualidade igual aos dos mais renomados fabricantes mundiais, a MIURA se caracterizou por produzir veículos sofisticados e altamente tecnológicos, utilizando-se sempre de tecnologia nacional desenvolvida pela própria empresa ou por suas associadas.Foi assim que a marca MIURA desenvolveu e lançou os modelos: MIURA SPORT (1977-1981), MIURA MTS (1982-1983), MIURA TARGA (1982-1988), MIURA SPIDER (1983-1986), MIURA KABRIO (1984-1985), MIURA SAGA I (1984-1988), MIURA 787 (1987-1989), MIURA X8 (1987-1990), MIURA SAGA II (1989-1992), MIURA TOP SPORT (1989-1992), MIURA X11 (1992-1993). Nesses modelos foram incorporados acessórios nunca antes imaginados em veículos nacionais, tais como Teto Solar, Frigobar, Sistema de Abertura Automática de Portas por Controle Remoto, Faróis Escamoteáveis, TV no Painel, Luz Externa de Neon, e o inesquecível Computador de Bordo Falante, que avisa ao motorista sobre a necessidade de reabastecer o veículo, utilização do cinto de segurança e etc, são alguns dos itens que eram oferecidos.
A marca MIURA teve clientes ilustres como Xuxa (apresentadora), Pelé (ex-jogador de futebol), Renato Gaúcho (técnico de futebol), Simone (cantora), Tande (ex-jogador de vólei), entre outros.
Figurou em atrações como “Tieta”, “A gata comeu”, “O outro”, “Mandala” e “Rainha da sucata” todas novelas da Rede Globo de Televisão, no “Programa legal”, com Luiz Fernando Guimarães e Regina Casé, na série “As noivas de Copacabana”, no filme “Ariela”, no comercial da Shell Super Plus e no clipe do cantor Cazuza “Faz parte do meu show”.

O fim e o possível recomeço

Apesar de ter fechado em 1992, a empresa recebeu encomendas até 1995, quando parou de vender a picape BG Truck. Besson e Gobbi continuaram a fabricar seus cupês artesanais até a produção ser encerrada em 1992, pouco tempo após a abertura do mercado aos importados, novos ícones de luxo e exclusividade.
Em 2007 a marca Miura foi adquirida da massa falida de Besson, Gobbi S/A, pela empresa Rangel & Lima Indústria de Veículos Ltda, que a partir de então começou a trabalhar em dois novos modelos, o Miura M1 e o Miura M2.
O projeto do Miura M1 foi apresentado em 07 de dezembro de 2007, em um evento organizado pela Rangel & Lima Indústria de Veículos Ltda, para comemorar os 30 anos da marca. Seu protótipo vem sendo desenvolvido em parceria com a empresa Autosfibra, de Santa Catarina, com previsão de lançamento para 2018.
Já o Miura M2, teve seu projeto apresentado em 20 de junho de 2014, e seu protótipo também vem sendo desenvolvido em parceria com a empresa Autosfibra. É equipado com motor V8 e a previsão de lançamento é 2020.
Site Miura, Quatro Rodas, Wikipédia

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