O quero-quero é um pássaro habitante das várzeas próximas a lagos e casas. Sua alimentação baseia-se em grilos e outros insetos. É conhecido por fazer seu ninho no chão e despista-lo para que ninguém o encontre, se tornando agressivo e até atacando quem ousar se aproximar. É considerado a ave símbolo dos campos gaúchos.

Neste artigo conheceremos a lenda sobre ele:

Diz a lenda que lá no começo do mundo, quando a Sagrada família, fugia para o Egito, perseguida pelos soldados do Rei Heródes. Muitas vezes precisou viajar a noite e esconder-se nos matos e campos e durante o dia afugentar-se em grutas da montanha para fugir do sol escaldante e para não ser vista e morta pelos soldados. E quando os perseguidores chegavam perto, precisava estar escondida, em muito silêncio, para não ser encontrada.

Numa dessas vezes, Nossa Senhora escondendo o Divino Gurí (Jesus), pediu aos pássaros e todos aos animais que fizessem silêncio para que os soldados não os encontrassem. Porque os soldados poderiam ouvir e vir atacá-los.

Prontamente todos os bichos acataram o pedido de Nossa Senhora. Até o burrico parecia entender o perigo que a família estava correndo: não empacava e pisava macio. Não fazia o menor ruído ao mudar os passos, parecia que ele sabia de sua grande missão, que era conduzir a sua divina carga ao salvamento. As aves não voavam, ficavam inertes e nem batiam asas.

Mas o quero-quero, alheio aos acontecimentos e por ser uma ave alarmista, sempre alerta, querendo avisar cantando quando alguém se aproximava, não cessava de gritar a sua voz aguda. Não atendeu ao pedido de Nossa Senhora e permaneceu atacando e queria porque queria cantar, quero, quero, quero… Por isso, foi amaldiçoado por Nossa Senhora e até hoje continua querendo e querendo… e sem nada encontrar.

Esta é uma adaptação de A lenda do quero-quero, publicada por Antonio Augusto Fagundes em Mitos e Lendas do Rio Grande do Sul, de 1992, retirada do projeto 7 Lendas Gaúchas